quinta, 19 de setembro de 2019

AMAERJ | 15 de abril de 2019 14:13

Revista FÓRUM: Os encantos do filme de tribunal

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Atriz Felicity Jones protagoniza ‘Suprema’ | Divulgação/Reprodução

Amor, drama e suspense diante de juízes e jurados

Por SERGIO TORRES

Existem filmes de amor, de ação, de aventuras, de faroeste, de terror, de guerra e de ficção científica. Há documentários e desenhos animados. Filmes em que bichos falam, que monstros arrasam cidades, que lutadores orientais se enfrentam ininterruptamente sem demonstrar cansaço, que guerreiros solitários dizimam exércitos. E há os filmes de tribunal. Esta categoria pouco falada do cinema une tensão, drama, paixão, mistério e suspense. Exige atores que saibam interpretar, diretores competentes e uma plateia atenta a detalhes.

Os filmes de tribunal constituem um capítulo expressivo dos mais de cem anos da história cinematográfica. O mais recente deles entrou em circuito recentemente. “Suprema”, dirigido pela cineasta Mimi Leder, conta a história da juíza federal norte-americana Ruth Bader Ginsburg, de 86 anos. Integrante da Suprema Corte desde 1993, Ruth é interpretada por Felicity Jones, britânica que concorreu ao Oscar de Melhor Atriz em 2014 pelo papel desempenhado em “A Teoria de Tudo”.

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Os encantos do filme de tribunal
A Magistratura que queremos

Ainda é cedo para dizer se “Suprema” passará a integrar a relação dos grandes filmes de tribunal. As críticas não têm sido nem tão elogiosas nem tão arrasadoras. O desempenho da atriz é muito bom; a personagem, melhor ainda. Só o tempo dirá se o filme chegará perto de clássicos como “12 Homens e uma sentença”, “Testemunha de acusação”, “O Veredito” e “O sol é para todos”.

Filmado em 1957 pelo então estreante cineasta americano Sidney Lumet (1924-2011), “12 Homens e uma sentença” (“12 Angry men”) é o clássico dos clássicos filmes de tribunal. Com 95 minutos de duração, narra a reunião de um júri de 12 homens encarregados de concluir se um jovem porto-riquenho é culpado ou inocente da acusação de matar o próprio pai. Apenas um dos jurados, interpretado pelo grande Henry Fonda (1905-1982), desconfia que, apesar das evidências, o rapaz não é parricida.

O filme se passa quase todo o tempo na sala do júri, onde 12 personagens se confrontam em diálogos que entraram para a história do cinema. O filme levou o Leão de Ouro do Festival de Berlim e concorreu aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Até hoje é mostrado em cursos, seminários e universidades de Direito e Jornalismo nos Estados Unidos e na Europa.

Para o jornalista Marcelo Beraba, fundador da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e com passagens em cargos de comando em alguns dos mais importantes jornais brasileiros, como “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S. Paulo”, “12 Homens e uma sentença” é “Cinema com C maiúsculo”.

“Todos os jornalistas e estudantes de jornalismo deveriam ver ‘12 Homens e uma sentença’. Além de aprender o que é Cinema com C maiúsculo, é um aprendizado profissional. Não basta, no nosso ofício de repórter, buscar pistas, provas, declarações. É preciso sair da leitura superficial, fugir do preconceito, desconfiar das informações fáceis, das aparências e das verdades absolutas. A busca da verdade – no Jornalismo como na Justiça – é um exercício difícil e que nos exige um grande domínio das técnicas jornalísticas. Este compromisso com o permanente desenvolvimento profissional e com um ceticismo saudável é a essência da ética jornalística. Um grande filme que deveria fazer parte do currículo das escolas de comunicação”, disse Beraba.

O mesmo Sidney Lumet dirigiu em 1982 “O Veredito” (The Verdict), que traz o astro Paul Newman (1925-2008) como o advogado alcoólatra incumbido da defesa de uma vítima de erro médico. O decadente advogado, para surpresa de todos, recusa o acordo extrajudicial e insiste em levar o caso aos tribunais, a despeito até da intenção da família da jovem grávida que entrou em coma após procedimento hospitalar equivocado.

“O Veredito” foi indicado aos Oscar de Melhor Filme Melhor Diretor, Melhor Ator (Newman), Melhor Ator Coadjuvante (James Mason) e Melhor Roteiro Adaptado. Não levou nenhum deles. Azar do Oscar. Nem sempre os melhores são premiados.

Outra obra de referência de filmes de tribunal é “Testemunha de Acusação” (“Witness for the prosecution”), do cineasta Billy Wilder (1906-2002), austríaco naturalizado norte-americano. O filme, de 1957, é baseado em conto da escritora inglesa Agatha Christie (1890-1976), notabilizada pelos enredos policiais e de suspense.

O crítico Inácio Araújo, da “Folha de S.Paulo”, escreveu que o filme de Wilder “impressiona pelo número de reviravoltas”. O colunista Manuel da Costa Pinto, também da “Folha”, vai além: “o humor irresistível está a serviço de um trama de reviravoltas e de ilusionismo moral”. Como seus similares de gênero, “Testemunha de Acusação” concorreu a seis Oscar. Não levou nenhum. A Academia, decididamente, não gosta de filme de tribunal. Mas parece que gostava de Gregory Peck (1916-2003).

O artista levou o Oscar de Melhor Ator pela interpretação do advogado Atticus Finch em “O sol é para todos” (“To kill a mockingbird”), do americano Robert Mulligan (1925-2008). Passada na década de 30 do século passado, em uma cidadezinha racista no Alabama, a trama conta como Atticus, contra tudo e todos, defendeu um negro acusado do estupro de uma jovem branca.

O primoroso longa teve como base o livro homônimo lançado dois anos antes pela autora Harper Lee (1926-2016). Atticus Finch tornou-se, desde então, um dos mais memoráveis personagens da literatura e do cinema dos Estados Unidos.

“Encarnando o advogado Atticus Finch com um imenso calor humano, Peck poderia ter convertido o personagem no velho clichê do ‘homem branco salvador das minorias’, mas evita cair na armadilha ao compreender que, em primeiro lugar, aquele homem é pai. Assim, a alma do filme se torna sua relação com os filhos – especialmente com a pequena Scout, interpretada com autenticidade impressionante por Mary Badham. Compreendendo que é seu dever educar os filhos para que sejam melhores do que os racistas que populavam o Alabama na época da Grande Depressão (e que, sejamos honestos, continuam a povoá-la hoje), Atticus é capaz de explicar conceitos complexos de profunda humanidade para a menina de uma maneira não só simples, mas lúdica”, escreveu o editor Pablo Villaça, do site Cinema em Cena, criado em 1997.

Leia aqui a revista completa.

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