Legislativo | 11 de março de 2026 13:52

Juíza Vanessa Cavalieri é ouvida no Senado pela CPI do Crime Organizado

Juíza Vanessa Cavalieri fala no Senado Federal | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Titular da Vara da Infância e da Juventude da Capital há 11 anos e diretora da AMAERJ de Acompanhamento em Juizados de Infância e Juventude, a juíza Vanessa Cavalieri foi convidada para falar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta terça-feira (10). A magistrada abordou temas como o perfil e o processo de envolvimento de jovens em organizações criminosas, planejamento familiar, sistema socioeducativo e riscos do ambiente digital.

A juíza afirmou que o enfrentamento da criminalidade juvenil exige intervenção precoce e políticas públicas capazes de mudar a trajetória de crianças e adolescentes. A magistrada disse que, ao longo de mais de uma década, identificou um percurso de vida recorrente entre os adolescentes que chegam ao Poder Judiciário.

“Eles são invisibilizados e falta políticas públicas que podem mudar esse cenário. A grande maioria das pessoas que hoje estão presas, envolvidas nas organizações criminosas, ou que já perderam a vida antes dos 30 anos não começaram a se envolver com o crime quando fizeram 18 anos. Eles começam a se envolver timidamente com a prática delitiva com 11, 12, 13 anos de idade. Nesse momento, há uma janela de oportunidade que permite fazer uma intervenção eficaz e mudar essa trajetória. É muito mais fácil tirar um menino que está começando a trabalhar como ‘vapor’, na boca de fumo, do que prender o dono do morro”, disse.

Juíza Vanessa Cavalieri | Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A juíza Vanessa Cavalieri relacionou o atual quadro à ausência de planejamento familiar, à gravidez na adolescência, à falta de creches, à baixa qualidade da educação pública e à carência de oportunidades de profissionalização.

“Enquanto não há vaga de jovem aprendiz para esse jovem pobre, tem uma empresa onde nunca faltam vagas. Essa empresa é uma organização criminosa chamada de tráfico de drogas. É preciso atuar na prevenção lá no início para evitar que novas crianças e adolescentes sigam esse caminho”, frisou a magistrada, que também respondeu a questionamentos dos senadores.

Em relação ao ambiente digital, a juíza relatou mudança no perfil dos jovens que chegam ao Judiciário, com o avanço de casos envolvendo meninos e meninas de classe média e alta, ligados a comunidades virtuais de radicalização, misoginia e violência extrema. A magistrada citou a plataforma Discord como espaço recorrente nesses processos e afirmou que há dessensibilização em relação à violência e reprodução de conteúdos pornográficos e misóginos no comportamento desses adolescentes.

Clique aqui para assistir ao vídeo da participação da juíza na CPI do Crime Organizado.

(Com informações da Agência Senado)

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