AMAERJ | 22 de setembro de 2025 19:14

Conheça os vencedores do 14º Prêmio AMAERJ Patrícia Acioli de Direitos Humanos

Magistrados e vencedores do 14º Prêmio AMAERJ Patrícia Acioli de Direitos Humanos

A Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro promoveu, na noite desta segunda-feira (22), a cerimônia de entrega do 14º Prêmio AMAERJ Patrícia Acioli de Direitos Humanos. O evento contou com a presença de desembargadores, juízes, demais profissionais do Direito, jornalistas, professores, líderes de movimentos sociais, estudantes e Maria Eduarda Acioli, filha da juíza Patrícia Acioli (1964-2011).

Magistrados premiaram 18 autores de trabalhos e iniciativas em defesa dos direitos humanos e da cidadania. Conheça os laureados:

Trabalhos dos Magistrados

1º – Projeto Vez e Voz
Autor: Gabriel Consigliero Lessa, juiz do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO)

O “Projeto Vez e Voz” cria o fluxo para a inclusão definitiva dos presos autodeclarados LGBTQIAPN+ na Unidade Prisional de Goianápolis/Goiás, bem como cria mecanismos para assegurar as prerrogativas fundamentais de saúde, assistência social, educação, religiosa e ao trabalho para esses reeducandos.

2º – Caminho do Acordo
Autor: Fernando Nardon Nielsen, juiz do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3)

O TRF-3 instituiu o projeto Caminho do Acordo nas Centrais de Conciliação de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de levar serviços pré-processuais de demandas previdenciárias relacionadas à aposentadoria por idade rural, pensão por morte e salário-maternidade em comunidades indígenas.

3º – Ouvidoria para mulheres indígenas: justiça intercultural e enfrentamento à violência em Roraima
Autores: Erick Linhares e Elaine Bianchi, desembargadores do Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR)

O artigo analisa a experiência do Tribunal de Justiça de Roraima no combate à violência doméstica contra mulheres indígenas, por meio da “Ouvidoria para Mulheres Indígenas”, utilizando vídeos educativos em línguas nativas para promover direitos e o acesso à Justiça, considerando o contexto cultural.

Juiz Gabriel Consigliero Lessa com os presidentes Ricardo Couto (TJ-RJ) e Eunice Haddad (AMAERJ)

Trabalhos Acadêmicos

1º – Complexo Penitenciário de Gericinó: um estudo sobre arquitetura carcerária e as relações de poder
Autora: Maria Luiza Rodrigues de Moura Brito

O trabalho analisa as relações de poder na arquitetura do Complexo Penitenciário de Gericinó, estabelecendo um paralelo com a formação histórica das prisões. Defende a reformulação do cárcere em prol da dignidade e ressocialização dos internos e da construção de uma sociedade mais democrática.

2º – Direitos humanos, corpo-território e resistência: a retirada da cidadania de mulheres e meninas indígenas através da violência sexual
Autora: Maria Eduarda Machado de Andrade Santos

O artigo analisa como a violência sexual retira a cidadania de mulheres indígenas e destaca o papel do Estado e dos Direitos Humanos na reconstrução de seus direitos, valorizando o protagonismo das lideranças femininas indígenas.

3º – Registro civil de crianças intersexuais no Brasil: revisão integrativa
Autora: Leilane Serratine Grubba

A pesquisa objetiva sintetizar os resultados de estudos sobre o assentamento civil de crianças intersexuais de maneira sistemática, ordenada e abrangente, norteando-se pela problemática.

Menção Honrosa – Direito à literatura no cárcere: uma análise do direito humano à literatura de mulheres encarceradas a partir da perspectiva de atuação do projeto ‘Escrita que Liberta’
Autores: Maria Eduarda Rodrigues do Nascimento e Jorge Alberto Mendes Serejo

A pesquisa discute o direito à literatura como Direito Humano no ambiente prisional, destacando a atuação do projeto “Escrita que Liberta” como ferramenta de efetivação desse direito e ressocialização das reeducandas.

Menção Honrosa – A vida no lixão: realidade recrudescedora de quem (sobre)vive nesse espaço de exclusão e de apagamento
Autora: Natália Bolsoni Araujo

O artigo tem como objetivo abordar a realidade das pessoas que vivem no lixão e, a partir da inquietação provocada, analisá-lo à luz do princípio da dignidade da pessoa humana, prelecionado na Constituição Federal.

Maria Luiza Rodrigues de Moura Brito e a desembargadora Márcia Succi

Práticas Humanísticas

1º – Projeto ‘Que Vem das Ruas’
Autor: Anderson Barbosa Morais

O projeto criado em 2016 conta histórias de pessoas em situação de rua através dos relatos delas, fomentando seu protagonismo. A iniciativa tem um site onde são publicados artigos e notícias dessas pessoas, além de ser um espaço para cobrar do Estado a aplicação de políticas públicas.

2º – Projeto Interpretar
Autores: Geandisson Ramos Andrade e equipe

O Projeto promove os direitos humanos por meio da educação escolar indígena específica, com foco na proteção das crianças e adolescentes do povo Pankararu, originário do sertão de Pernambuco. Atua na defesa da cultura, da saúde, do meio ambiente e dos territórios, fortalecendo os patrimônios indígenas.

3º –PROID – Programa de Iniciação à Democracia
Autor: Felipe Briguente Coelho Alves

Programa educacional que promove o direito humano à cidadania consciente, ensinando crianças a vivenciar o sistema democrático, compreender seus direitos e deveres e atuar como protagonistas de sua comunidade escolar.

Menção Honrosa – Incentivo à leitura e letramento racial para crianças, adolescentes em vulnerabilidade social e no socioeducativo
Autores: Beatriz Batistela Silva Rodrigues e Marcus Vinicius Silva

O projeto visa estimular a leitura, a escrita e a oralidade – pilares do letramento racial – a fim de promover a educação e a cultura pelo viés antirracista, contribuindo para a formação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.

Menção Honrosa – Núcleo de Apoio ao Migrante da Universidade do Vale do Itajaí
Autores: Rafael Padilha dos Santos e equipe

O Núcleo de Apoio ao Migrante é um projeto de extensão universitário comprometido com o acolhimento, proteção, promoção e integração dos migrantes na sociedade brasileira, prestando serviços especializados e gratuitos para garantia dos direitos humanos.

Anderson Barbosa Morais e a juíza Mirela Erbisti

Reportagens Jornalísticas

1º – Caso K – A história oculta do fundador da Casas Bahia
Autores: Thiago Domenici e equipe (Agência Pública)

A série em podcast revela como Samuel Klein, dono da Casas Bahia, teria mantido, durante décadas, um esquema de aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes, com suporte da estrutura da empresa, conivência da mídia e omissão da Justiça para se manter impune.

2º – Território em Fluxo
Autores: Iolanda Depizzol (Site Brasil de Fato)

A série documental investiga os principais conflitos presentes em uma das áreas mais disputadas de São Paulo: a ‘Cracolândia’. A produção se contrapõe a abordagens estigmatizantes para, a partir de quem atua na região, retratar a complexidade desse território.

3º – Planeta em colapso: como a crise climática afeta direitos em territórios da Amazônia
Autores: Fernanda Melo da Escóssia e equipe (Sites Sumaúma e InfoAmazonia)

A série de três reportagens expõe os efeitos das mudanças climáticas no cotidiano da Amazônia, a partir de histórias, olhares e experiências em uma aldeia indígena, um território quilombola e uma plantação de alimentos orgânicos no Pará.

Menção Honrosa – Violência obstétrica ainda afeta mulheres no cárcere três anos após Lei de Tratamento Humanitário
Autores: Mariana Rosetti Maia e equipe (Site Gênero e Número)

A reportagem, feita em duas publicações, aborda o rompimento de vínculos familiares e a negação ao direito à maternidade no cárcere.

Menção Honrosa – Bonde dos Fantasmas
Autora: Roberta de Souza (Jornal Extra)

A série de reportagens do jornal Extra revelou, com exclusividade, uma investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro sobre o envolvimento de agentes em uma quadrilha que assaltava bocas de fumo usando armas da corporação.

Thiago Domenici e a presidente Eunice Haddad

Premiação

O primeiro lugar de cada categoria ganhou R$ 17 mil; o segundo, R$ 12 mil; o terceiro, R$ 6 mil. Os três primeiros colocados receberam troféus. Na categoria Trabalhos dos Magistrados, não há premiação em dinheiro. Os três primeiros colocados ganharam troféus, idealizados pela juíza Mirela Erbisti, diretora de Direitos Humanos e Proteção Integral da AMAERJ.

Criado em 2012, o Prêmio homenageia a memória da juíza Patrícia Acioli, morta por policiais militares em 2011, quando era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. A premiação tem o objetivo de identificar, disseminar e estimular as ações em defesa dos direitos humanos, dando visibilidade a práticas e trabalhos na área.

Confira aqui a galeria de fotos do 14º Prêmio AMAERJ Patrícia Acioli de Direitos Humanos

Juíza Mirela Erbisti, Maria Eduarda Acioli, presidente Eunice Haddad e desembargadora Márcia Succi

Fotos: Fabio Motta

O Prêmio tem apoio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ). Os patrocinadores são a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Multiplan, a Prefeitura do Rio e a Cedae.

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TV Globo e sites destacam a solenidade de premiação do AMAERJ Patrícia Acioli