AMAERJ | 08 de julho de 2026 13:48

Após trabalho associativo em defesa da vitaliciedade, CCJC da Câmara rejeita a PEC 505/2010

Presidente Eunice Haddad e dirigentes associativos da Magistratura e do Ministério Público na CCJ da Câmara

A intensa atuação das associações do sistema de Justiça resultou na rejeição unânime da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 505/2010, nesta quarta-feira (8), na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. A PEC admitia a perda do cargo de membros vitalícios por decisão administrativa, dispensando a sentença judicial transitada em julgado. A juíza Eunice Haddad, presidente da AMAERJ e vice-presidente de Assuntos Legislativos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), acompanhou a votação na CCJC, que preservou a fundamental garantia da vitaliciedade.

“A proposta acabava com o princípio da vitaliciedade, pilar da Magistratura e do Estado Democrático de Direito. Ao admitir a perda do cargo sem decisão judicial, o texto feria a independência do Poder Judiciário. Ressaltamos para os parlamentares a gravidade da proposta. A mobilização associativa foi essencial para a preservação da vitaliciedade. Seguimos firmes na defesa da carreira no Congresso”, afirmou a presidente Eunice Haddad.

Além da PEC 505/2010, foram rejeitadas as similares PECs nº 86/2011 e nº 371/2017, por manifesta ofensa às cláusulas pétreas da separação dos Poderes e dos direitos e garantias individuais. Na sessão, a CCJ aprovou a PEC 291/2013, que mantém a exigência de decisão do Judiciário para a perda definitiva do cargo.

Após a leitura do parecer, o deputado Helder Salomão (PT-ES), relator das propostas, frisou a importância do diálogo com as associações. “Conversei com as associações de magistrados e do Ministério Público. Fiz um amplo diálogo sobre este relatório porque é fundamental que tenhamos capacidade de dialogar com todos. Depois de ter conversado com todas as associações e parlamentares, nós proferimos o voto”, disse o deputado.

Deputado Helder Salomão (PT-ES), relator das propostas | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A necessidade de preservar a vitaliciedade foi destacada pelo relator em seu voto. “A garantia da vitaliciedade, longe de constituir privilégio pessoal da Magistratura ou do parquet, consubstancia verdadeira garantia institucional destinada à preservação da independência funcional e da imparcialidade dessas funções de Estado. Trata-se de prerrogativa instrumental concebida pelo constituinte originário para assegurar a autonomia do Poder Judiciário e do Ministério Público frente a eventuais pressões externas, qualificando-se como elemento indissociável do princípio da separação dos Poderes e dos direitos e garantias individuais.”

Também estiveram na CCJ dirigentes da AMB, da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

As associações continuam trabalhando ativamente no Parlamento em defesa das prerrogativas das carreiras do sistema de Justiça.

Dirigentes da AMB na sessão da CCJ | Foto: Lucas Borges/AMB

Leia também: Juíza Eunice Haddad e associações jurídicas do Rio atuam no Congresso Nacional
Presidente da AMAERJ trata da proposta de reforma do Judiciário em Brasília
Desembargadores Antônio Carlos Amado e Mario Assis são homenageados em despedida do TJ-RJ