
A Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta segunda-feira (1º), a cerimônia do Prêmio EMERJ Consciência Negra. Magistrados fluminenses entregaram o Troféu Esperança Garcia a quatro personalidades, no Auditório Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central do Tribunal de Justiça (TJ-RJ).
Participaram do evento os magistrados André Nicolitt, presidente do Fórum Permanente de Direito e Relações Raciais da EMERJ; Cristina Gaulia, ex-diretora-geral da EMERJ; Kátia Cilene Bugarim e Maria Aglaé, integrantes do Conselho Consultivo da EMERJ; e Wagner Cinelli, diretor Cultural da AMAERJ e presidente do Comitê de Promoção da Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (COGEN-1º GRAU).
Foram homenageados a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edilene Lôbo, o ator e diretor Antônio Pitanga, a escritora Ana Maria Gonçalves e a advogada Elisabeth Baraúna. Eles foram laureados pelas trajetórias de vida e ações efetivas na defesa dos direitos raciais no Brasil.
Ao discursar, a juíza Kátia Cilene Bugarim ressaltou a importância da premiação. “Esse prêmio transcende a mera formalidade, é um tributo vivo àqueles que dedicam as suas vidas à defesa intransigente da igualdade de direitos civis e da equidade de direitos raciais no Brasil. Que esse prêmio renove o nosso compromisso coletivo e que a história de Esperança Garcia não seja apenas lembrada, mas vivida em nossas instituições e vidas, até que a igualdade racial seja finalmente uma realidade inquestionável no nosso Brasil”, afirmou.
O prêmio homenageia Esperança Garcia, mulher negra escravizada no Brasil no século 18 e reconhecida como a primeira advogada piauiense.

O desembargador Wagner Cinelli frisou que “o TJ-RJ, por meio de suas muitas comissões e braços, tem se esforçado para ter uma postura fundamentalmente democrática e antirracista, reconhecendo que há problemas e que a estrada é longa”.
A premiação foi organizada pelo Fórum Permanente de Direito e Relações Raciais. “A ideia era que nós homenageássemos as grandes personalidades de todos os campos do Direito, da arte, da música e da ciência, que fossem representativas na luta pela igualdade racial e pelas questões étnico-raciais e que estivessem vivas”, contou o juiz André Nicolitt.
A ministra Edilene Lôbo destacou a relevância do Prêmio. “Quando eu vejo uma mulher negra, a fotografia da sociedade brasileira, entrando em uma Escola para magistrados e magistradas, eu confio que nós vamos conseguir superar o racismo, uma chaga profunda que ainda diz muito da exclusão construída e das escolhas políticas de mantê-la. Quando eu entro aqui e recebo essa homenagem, eu me lembro do meu pai preto, semianalfabeto, que criou vinte filhos com a minha mãe, eu sou a 17ª, num país que ainda conta com seis milhões de pessoas analfabetas, e a maioria são pessoas negras. Mas eu confio que nós vamos superar.”
(Com informações da EMERJ)
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