terça, 22 de setembro de 2020

Cultura | 07 de julho de 2020 10:02

Revista FÓRUM: Artistas X Coronavírus

Roberto Carlos surpreendeu em duas lives | Reprodução/TV Globo

Cultura criativa enfrenta a pandemia

Por Sergio Torres

O impacto da pandemia do coronavírus no setor cultural brasileiro foi devastador. A crise afetou ainda mais o já combalido mercado editorial, em que conhecidas megastores –casos da Saraiva e da Cultura– mantinham-se em situação pré-falimentar, com acervos reduzidos e fechamento de lojas.

As livrarias de portes médio e pequeno, que vinham, de uma forma ou outra, batalhando para atrair o cliente prejudicado pela derrocada das megas, sofreram brutalmente com as regras sanitárias de distanciamento social.

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Com as lojas fechadas, os livreiros passaram a investir na venda virtual, com efeitos ainda mal mensurados, em virtude, também, da precariedade dos serviços prestados pelos Correios. Livros adquiridos pela Internet demoram a chegar ao comprador –às vezes mais de três semanas–, a despeito de os endereços de remetente e destinatário serem da mesma região geográfica.

Na música, disseminou-se a prática das lives, como são chamadas as apresentações de artistas ao vivo transmitidas pelas redes sociais, principalmente o Instagram e o Youtube.

Até mesmo artistas consagrados, como Roberto Carlos e Ivete Sangalo, aderiram ao formato das lives. Roberto, em duas ocasiões, com enorme sucesso e repercussão.

Ivete Sangalo de pijama em filmagem caseira | Reprodução/TV Globo

As lives têm se mostrado um canal em que o artista pode também expressar sua criatividade. Um exemplo é o da cantora Mônica Salmaso, que criou a série “Ô de Casas”. Sempre com um convidado –cada um em seu estúdio ou no lar–, Mônica encantou pelo gabarito do repertório e dos colegas com que compartilhou as exibições. Craques do quilate de Guinga, André Mehmari, Luciana Rabello, Cristóvão Bastos e muitos outros.

Outra live inovadora foi a do compositor Zeca Baleiro, que reuniu dezenas de convidados ao se exibir a partir de sua casa, em São Paulo. Até colegas no exterior participaram, como Danny Lopes, no Uruguai, e Susana Travassos, em Portugal.

Luiz Carlos Sá, da dupla Sá & Guarabyra, sistematizou suas lives. Sempre aos domingos e quintas-feiras, o cantor e compositor apresentou, com voz, violão e viola, todos os discos que lançou desde a primeira metade dos anos 70, tanto os divididos com o parceiro quanto os gravados pelo trio Sá, Rodrix & Guarabyra, também integrado pelo saudoso, e muito talentoso, Zé Rodrix.

Por fim, na área cultural, aconteceram, neste período da pandemia, as mortes de artistas nacionais de primeira linha. Vitimados pelo vírus, morreram o compositor e escritor Aldir Blanc; o contista Sérgio Sant’Anna; a atriz e radialista Daysi Lúcidi; o compositor Ciro Pessoa (cofundador da banda Titãs); o artista plástico Abraham Palatnik; e o sambista David Corrêa, entre muitos outros.

A morte também levou já na fase do isolamento social, por questões diversas, o compositor Moraes Moreira, o cantor Tantinho da Mangueira, o ator Flávio Migliaccio e os escritores Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, mestres dos ofícios que exerceram com tanto talento e dedicação.

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