segunda, 19 de abril de 2021

Judiciário na Mídia Hoje | 23 de fevereiro de 2021 15:25

Justiça do Rio decide afastar Flordelis do cargo de deputada federal

*O Globo

A 2ª Câmara Criminal decidiu afastar Flordelis dos Santos de Souza (PSD) do cargo de deputada federal. O julgamento por videoconferência ocorreu na tarde desta terça-feira (23). A decisão é para que a parlamentar fique afastada do cargo durante a primeira fase do processo no qual Flordelis é ré por ser mandante da morte do marido, o pastor Anderon do Carmo.

O relator do processo na câmara, desembargador Celso Ferreira Filho, votou a favor do afastamento. Os outros dois desembargadores — Antônio José e Katia Jangutta — concordaram com o voto do relator. Para Celso Filho, há situações concretas que demonstram atos de Flordelis para atrapalhar a “busca pela verdade” no processo.

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“Há situações que me causaram perplexidade. São 50 anos que convivo nessa casa de conflitos e há muito tempo não vejo uma situação tão complexa, estranha e que causa tanta surpresa. Lidamos com homicídio, improbidade administrativa, vários desvios, mas nesse processo há uma gama de circunstâncias estranhas, sobre as quais não vou tecer comentários”, afirmou Celso Ferreira Filho ao iniciar seu voto.

A decisão dos desembargadores será submetida ao plenário da Câmara dos Deputados para que decidam se mantém o afastamento, conforme determina a Constituição Federal.

A procuradora de Justiça Maria Christina Pasquinelli Bacha de Almeida deu parecer a favor do afastamento de Flordelis. Durante sua sustentação oral na sessão desta terça-feira, a procuradora afirmou que Flordelis usa o cargo para intimidar e para “cooptar benesses para sua pessoa e seu clã criminoso”. O advogado Ângelo Máximo, que representa a família do pastor, também defendeu o afastamento, sob alegação de que Flordelis atrapalhou as investigações do caso, além de fazer menção aos nomes de testemunhas em redes sociais.

“Fica claro o uso do cargo, o uso da maquina, da função pública para se esquivar da responsabilidade de ser mandante do crime”, afirmou Ângelo Máximo durante sua sustentação oral.