Notícias | 18 de outubro de 2012 08:37

Barão Vermelho comemora 30 anos do primeiro disco

O projeto inicial era o de fazer 30 shows gratuitos, no ano passado, para comemorar os 30 anos de formação da banda. A impossibilidade de captar recursos a tempo fez com que o Barão Vermelho optasse por fazer a festa só agora, em 2012. Mas em dose dupla. No dia 20, eles abrem na Fundição Progresso a turnê “+ 1 dose”, na qual farão o maior número possível de shows, nas principais praças do país, até o dia 31 de março de 2013. E até o fim do ano, a banda lança uma edição remixada do seu primeiro disco, “Barão Vermelho”, que, em 2012, completa 30 anos como um assunto não resolvido.

Gravado em dois finais de semana (15, 16, 22 e 23 de maio de 1982), nos estúdios da Som Livre, por uma banda iniciante, guiada por um jornalista munido de muito entusiasmo e ideias loucas (Ezequiel Neves, falecido em 2010), “Barão Vermelho” não aconteceu, mas trouxe futuros sucessos, como “Todo amor que houver nessa vida”, “Ponto fraco”, “Billy negão” e “Down em mim”.

— Aquele foi um disco de rock’n’roll gravado por adolescentes — lembra Dé Palmeira, ex-baixista do Barão, que tinha 15 anos quando tocou no LP e que, agora, foi convocado pela banda para ser o coordenador da remixagem. — O Ezequiel queria um som um pouco sujo demais, queria romper com o padrão da época. Lembro que, quando a gente ouviu o disco pronto, em São Paulo, na vitrola do hotel, logo viu que a mixagem estava ruim. Desde então, sempre quis remixá-lo.

Remasterização inútil

Guitarrista e hoje vocalista do Barão, Roberto Frejat conta que a remasterização do disco, em 1997, nos Estados Unidos, sequer foi um paliativo.— O disco era mixado de uma maneira tão equivocada que, quando você tentava melhorar com a masterização, ele piorava. Aquilo era uma lupa nas deficiências. Está sendo um trabalho árduo para turbinar o som, mas a gente não está mexendo nas performances.

Há algumas semanas, quando Frejat, Dé, o tecladista Maurício Barros e o baterista Guto Goffi (que formavam o Barão em 1982, ao lado do vocalista Cazuza) começaram a ouvir as fitas com as gravações do disco, lembranças vieram à tona.

— Os amigos do Cazuza iam todos para o estúdio, ficava uma zona! Eles iam lá para tirá-lo do estúdio, porque ele estava demorando para ir para a a noite — denuncia Frejat.— A gente achava que era assim que se gravava disco, com plateia — completa Maurício.
Junto às lembranças, vieram surpresas. Segundo Frejat, primeiro eles descobriram que o disco não tinha sido tão mal gravado assim. Depois, viram que havia material inédito: a canção “Sorte e azar”, que resolveram retrabalhar, mantendo a voz de Cazuza e regravando o instrumental. A faixa ganhou um clima “Wild horses”, dos Stones, com violão e cordas a pontuar a performance selvagem de Cazuza.

— A gente achou que podia, os quatro, usar a vivência que tem e dar uma apresentação muito mais poderosa a essa música — conta o guitarrista.— Quando nos juntamos para gravar, voltou a mesma química — relata Dé, que deverá se juntar à banda em alguns shows para tocar “Sorte e azar”.

A faixa, que fará parte da trilha da novela global “Salve Jorge”, entrará como bônus na reedição de “Barão Vermelho”, ao lado de uma primitiva versão de “Nós”, reggae gravado com outro arranjo em “Maior abandonado” (1984).

Enquanto o disco é remixado, o Barão começa os ensaios para a volta aos palcos, com sua formação que está junta há 20 anos, mas que não fazia shows desde 2007: Frejat, Guto, Maurício, Rodrigo Santos (baixo), Fernando Magalhães (guitarra) e Peninha (percussão). Em dezembro, eles já têm fechadas datas em BH (dia 1º) e SP (8). No cardápio, cerca de 28 hits. A volta será registrada em documentário da Conspiração, dirigido por Mini Kerti.— Os ingredientes estão na panela, esquentando. Daqui a pouco, a comida está pronta — anuncia Guto Goffi.

 

Fonte: Rio Show – O Globo